sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Gabriela

Dezembro de 2009 foi um mês difícil. Sofri um aborto espontâneo. Embora estivesse de poucas semanas os efeitos fizeram-se notar por muito tempo. Psicologicamente ultrapassei o problema em poucos (alguns) meses. Contudo a nível físico as coisas começaram a correr mal. Os profissionais de saúde sempre disseram que nada tinha a ver com o aborto mas a verdade é que depois desta data fiquei com um desiquilibrio hormonal que teve de ser corrigido com auxilio de medicamentos. Este facto fez com que fosse muito mais complicado engravidar e tal só aconteceu em Agosto de 2011.


No inicio custou-me a acreditar e o medo de que algo de mal acontecesse nem me permitia festejar. Mas felizmente correu tudo bem. Apesar dos pequenos percalços que me foram acontecendo, a gravidez correu bem e, a 29 de Março de 2011, nasceu a 2ª princesa do meu reino: Gabriela.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O meu regresso

Já passaram 2 anos desde que escrevi aqui pela última vez. Muita coisa mudou e muito ficou igual. Decidi voltar a escrever porque à memórias que o tempo apaga e que que não quero esquecer. Aos poucos espero relembrar estes dois anos e registar o mais importante. Sei que muito ficará por recordar mas o mais importante está guardado no coração...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Férias

Aguardei por estas férias com uma ansiedade contida. Elas vieram e passaram tão depressa que quase não acredito que já acabaram. Foram as férias em que menos li, em que poucas vezes caminhei ao longo da praia mas não me aborreci por isso, em que consegui dormitar na areia e acordar bem disposta, em que joguei ás cartas, à bola e gostei muito.
Fizemos praia, piscina mas também passeámos e descansámos. Vimos um desfile de moda em Silves e acabámos com uma princesa a dormir ao colo. Comemos bolas de Berlim na praia e provei finalmente os doces Algarvios.

Mas mais importante do que tudo isso estive 8 dias, 24 h sobre 24 h, ao lado das duas pessoas mais importantes da minha vida. Por elas, com elas, tive as melhores férias de sempre. Obrigado meus amores!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Orgulho em ser tua mãe!

É isso que eu sinto meu amor. Quando eras bem pequena e tentava imaginar como serias com 8 anos sentia um frio na barriga, como sinto agora quando te tento imaginar com 16. Sentia medo de não saber ser mãe de uma menina mais crescida. Mas assim como tu cresceste também eu cresci como mãe. Dia a dia vamos andando e aprendendo a ser mãe e filha. E hoje, quando olho para ti, vejo-te mais linda que nunca. Mais empenhada naquilo que gostas, mais sossegada quando é mesmo necessário, mais curiosa e inteligente. Quando a tua professora me mostra os teus trabalhos e te elogia eu sinto vontade de ir pela rua fora mostrar a todos o quanto é bom ter uma filha assim. Quando ela me diz, que apesar de mais madura e por isso mais concentrada, não perdeste essa tua espontaneidade para dar e receber miminhos eu entendo exactamente o que ela quer dizer. Porque tu és assim. Carinhosa, meiga. E eu sinto-me a mãe mais sortuda da face da terra. Porque te sinto feliz, porque te sei feliz!

terça-feira, 30 de junho de 2009

A coroa da Santa

Detesto quando ajo em função dos costumes e não daquilo em que acredito.
Eram 9 da noite quando tocam à campainha. Surgem duas senhoras da minha aldeia. Vinham, segundo me disseram, em nome de todas as mulheres lá da terra. Nessa altura comecei a lembrar-me das "mulheres de Bragança". Afinal não tinha nada a ver. Estavam a fazer um peditório para comprar uma coroa para a Nª Srª da Conceição uma santa da Igreja da aldeia.
- Coitada da Santa! Então ela não tem coroa? - Não consegui deixar de ser irónica, mas elas não fizeram caso. Lá continuaram a dizer que até já a tinham mandado fazer e era assim para o "carote".
E foi aqui que eu errei. Em vez de lhes dizer que na minha opinião quem tem de comprar esses acessórios é a Igreja e não o povo, em vez de dizer que a Santa deveria preferir que ajudassem alguém com o dinheiro da coroa, em vez de dizer que deviam guardar o dinheiro para as pessoas que realmente passam necessidades, em vez de aconselhar essas senhoras a gastarem o tempo a fazer algo mais útil para a comunidade, colaborei nesta acção. Doei pouco, mas mesmo assim arrependo-me de cada cêntimo gasto com isto. Perdi a oportunidade de mostrar o meu ponto de vista e talvez alterar a forma pequenina de pensar de algumas pessoas. Fiz aquilo que vi fazer toda a minha vida e não consegui cortar com isso. E apesar de ter feito aquilo que era esperado de mim, sinto-me mal. Porque detesto agir assim. Porque eu não quero ser assim!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Trabalho Infantil?

A Bia está de férias desde o dia 19. Se para ela é uma alegria para nós, pais, é uma preocupação a mais. Durante o período escolar a Bia frequenta o ATL até à hora em que saímos do trabalho. Contudo assim que começam as férias recusa-se a ir para lá. Justifica-se com a ausência de parte dos coleguinhas que durante as férias fica com os avós ou outros familiares. Além disso detesta almoçar lá pois obrigam-na a comer quase tudo e isso é o maior problema para ela. Assim optámos por deixar que ela fique em casa durante este mês pois não estará sozinha. Até ao final de Junho terá a avó lá em casa.

Resolvemos então fazer uma lista de tarefas para ajudar a passar o dia. O motivo principal é evitar que esteja o tempo todo a ver tv ou a jogar no pc. Assim algumas das tarefas são:

- Fazer as camas

- Arrumar o quarto

- Levantar a louça da mesa e varrer o chão da cozinha depois de almoço

- Fazer uma ficha do livro de actividades das férias proposto pela professora

- Praticar violino

Na verdade parte das tarefas têm ficado por fazer mas tenho insistido todos os dias. Parece-vos muito para uma menina com 8 anos? Penso que mal não lhe fará e ainda que os trabalhos não fiquem muito bem feitos serve para ela se ir habituando. Como diz a minha mãe: "O trabalho do menino é pouco, mas quem o despreza é louco".

terça-feira, 23 de junho de 2009

É tão bom ser criança outra vez!

Com a chegada dos dias quentes surge a vontade de ir até à praia ou de fazer piqueniques. Contudo este fim de semana ainda não foi possível e acabámos por passar o domingo em casa. Estendemos uma mantinha na relva, debaixo do limoeiro, onde a sombra era mais fresca, e aproveitámos para ler e descansar. Ou pelo menos tentámos. O energia inesgotável da Bia não nos deixou estar sossegados muito tempo. Depois de alguma insistência aceitei brincar com ela. E a brincadeira não podia ser mais divertida. Ela corria atrás de mim pelo jardim com a mangueira da água ligada, tentando acertar-me. Depois trocávamos. E o que nos rimos! Até a minha mãe, que entretanto nos chamava de doidas, ameaçava com pneumonias e lembrava o desperdício de água, não conseguiu deixar de sorrir quando tive que pedir tréguas à minha filhota pois ela molhava-me sem dó nem piedade. De seguida devíamos mudar de roupa, não era? Pois, mas como a diversão ainda não tinha acabado, decidimos secar baloiçando-nos. E eu descobri que andar de baloiço com a minha menina é mesmo muito bom!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filhos criados

trabalhos dobrados. O ditado nunca me pareceu tão certo. É verdade que a Bia ainda é pequena mas à medida que vai crescendo vou apanhando mais sustos. O episódio do post anterior ficou resolvido e as crianças continuam amigas. Contudo valeu pela chamada de atenção.
O susto deste fim de semana foi um pouco maior. Na brincadeira com o primo a Bia sofreu uma queda. Já teve muitas, maiores, mas nunca com estas consequências. Caiu com a boca no chão, feriu o lábio e lascou os dois dentes incisivos frontais. Não foi muito e talvez nem seja necessário reconstruir mas apesar disso o susto foi enorme. E ela chorou tanto! Pela dor física e pelo facto de ter danificado os dentes. Os ralhetes do pai também não ajudaram muito e foi preciso que eu falasse com ela por diversas vezes para ela aceitar e compreender que não é assim tão grave. Acima de tudo não quero que ela tenha complexos ou traumas com o que aconteceu. Amanhã iremos ao dentista e espero que tudo se resolva rapidamente para esquecermos este assunto.
Quanto a mim, apesar de ainda não serem visíveis, devo ter ganho um par de cabelos brancos. E pelo andar das coisas muitos outros se seguirão!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Não sei se rio

ou choro. O facto é que ainda estou em choque.

Ontem ao final da tarde a Bia chamou um amiguinho, que é nosso vizinho, para vir brincar no nosso jardim. O D. é da idade da Bia e conhecem-se desde pequenos. Embora não frequentem a mesma escola estão muitas vezes juntos, pois temos amigos e familiares em comum. Ontem a brincadeira acabou cedo porque ele não soube aceitar um não.

Com apenas 8 anos a minha filhota já começa a despedaçar corações. Ele, com apenas 8 anos, não aceitou que ela já tenha o coração ocupado. Ele pediu-lhe namoro, ela disse que não.

Era tudo muito engraçado se tivesse ficado por aqui. No entanto, o doce de menino que ele parecia, transformou-se num chantagista. Do alto dos seus 8 anos informou-a que tinha até sábado para mudar de ideias. Ou aceita namorar com ele ou ele fala com uns amigos que tem e assaltam a casa dela. Pois é! E não são uns simples amigos, disse ele. São adultos e muito maus. E com isto foi-se embora.
Ela correu para dentro a contar-me. Assustada levou a ameaça a sério. Falei com ela e ajudei-a a ver que não passava de simples chantagem. Nem ele tem amigos adultos, nem eles fariam uma coisa dessas. Mais importante que isso tentei mostrar-lhe que nunca devemos ceder a essas ameaças e quem faz esse tipo de coisas não gosta realmente de nós. Depois de reflectir no que conversámos disse-me que achava melhor contar aos pais dele. A seguir pensou melhor e achou que o ideal seria contar eu. Com a decisão do que fazer tomada ficou descansada e parece-me que está bem.
Eu, que no inicio até me ri, fiquei preocupada. Começam cedo os problemas sentimentais da minha menina. Começam cedo as pressões, chantagens e tentativas de mudar a sua vontade. E que dizer deste menino? Devemos desdramatizar o assunto ou preocuparmo-nos com o futuro adulto que ele será? Devo chamar-lhe atenção ou falar mesmo com os pais? Devo deixar que sejam as crianças a resolver o assunto ou interferir?

O que lamento mais que tudo é que a amizade entre eles tenha acabado. É que a maneira como eu via o D. se tenha alterado. É que a maldade tenha lugar na mente de crianças tão pequenas. Estou a exagerar? Talvez, mas o sentimento de protecção em relação à minha filha é maior que tudo o resto.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Eu

Hoje queria ser livre. Livre de obrigações profissionais que me mantêm fechada neste espaço quando o sol chama por mim. Livre de obrigações familiares, de mãe, esposa, dona de casa, mulher.

Hoje queria ser um pássaro. Abria as janelas e voava. Elevava-me bem alto, batia as asas e só parava lá longe, à beira mar. O pensamento voaria livre. Esquecer-me-ia de quem sou. Do que esperam de mim. O ar do mar faria acordar todos os meus sentidos e eu ficaria assim, despida de pensamentos mas não de emoções. O tempo não existiria. Sem ele não teria pressa em regressar. As emoções controlariam o tempo e não o tempo as emoções.

Hoje, quando o sol partisse, o frio da noite iria acordar-me. E nessa altura lembrar-me-ia de quem sou. Voaria de regresso a casa e tudo faria sentido outra vez.

Hoje seria eu , seria tu, seria nós e mesmo assim seria livre.