quinta-feira, 25 de junho de 2009

Trabalho Infantil?

A Bia está de férias desde o dia 19. Se para ela é uma alegria para nós, pais, é uma preocupação a mais. Durante o período escolar a Bia frequenta o ATL até à hora em que saímos do trabalho. Contudo assim que começam as férias recusa-se a ir para lá. Justifica-se com a ausência de parte dos coleguinhas que durante as férias fica com os avós ou outros familiares. Além disso detesta almoçar lá pois obrigam-na a comer quase tudo e isso é o maior problema para ela. Assim optámos por deixar que ela fique em casa durante este mês pois não estará sozinha. Até ao final de Junho terá a avó lá em casa.

Resolvemos então fazer uma lista de tarefas para ajudar a passar o dia. O motivo principal é evitar que esteja o tempo todo a ver tv ou a jogar no pc. Assim algumas das tarefas são:

- Fazer as camas

- Arrumar o quarto

- Levantar a louça da mesa e varrer o chão da cozinha depois de almoço

- Fazer uma ficha do livro de actividades das férias proposto pela professora

- Praticar violino

Na verdade parte das tarefas têm ficado por fazer mas tenho insistido todos os dias. Parece-vos muito para uma menina com 8 anos? Penso que mal não lhe fará e ainda que os trabalhos não fiquem muito bem feitos serve para ela se ir habituando. Como diz a minha mãe: "O trabalho do menino é pouco, mas quem o despreza é louco".

terça-feira, 23 de junho de 2009

É tão bom ser criança outra vez!

Com a chegada dos dias quentes surge a vontade de ir até à praia ou de fazer piqueniques. Contudo este fim de semana ainda não foi possível e acabámos por passar o domingo em casa. Estendemos uma mantinha na relva, debaixo do limoeiro, onde a sombra era mais fresca, e aproveitámos para ler e descansar. Ou pelo menos tentámos. O energia inesgotável da Bia não nos deixou estar sossegados muito tempo. Depois de alguma insistência aceitei brincar com ela. E a brincadeira não podia ser mais divertida. Ela corria atrás de mim pelo jardim com a mangueira da água ligada, tentando acertar-me. Depois trocávamos. E o que nos rimos! Até a minha mãe, que entretanto nos chamava de doidas, ameaçava com pneumonias e lembrava o desperdício de água, não conseguiu deixar de sorrir quando tive que pedir tréguas à minha filhota pois ela molhava-me sem dó nem piedade. De seguida devíamos mudar de roupa, não era? Pois, mas como a diversão ainda não tinha acabado, decidimos secar baloiçando-nos. E eu descobri que andar de baloiço com a minha menina é mesmo muito bom!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Filhos criados

trabalhos dobrados. O ditado nunca me pareceu tão certo. É verdade que a Bia ainda é pequena mas à medida que vai crescendo vou apanhando mais sustos. O episódio do post anterior ficou resolvido e as crianças continuam amigas. Contudo valeu pela chamada de atenção.
O susto deste fim de semana foi um pouco maior. Na brincadeira com o primo a Bia sofreu uma queda. Já teve muitas, maiores, mas nunca com estas consequências. Caiu com a boca no chão, feriu o lábio e lascou os dois dentes incisivos frontais. Não foi muito e talvez nem seja necessário reconstruir mas apesar disso o susto foi enorme. E ela chorou tanto! Pela dor física e pelo facto de ter danificado os dentes. Os ralhetes do pai também não ajudaram muito e foi preciso que eu falasse com ela por diversas vezes para ela aceitar e compreender que não é assim tão grave. Acima de tudo não quero que ela tenha complexos ou traumas com o que aconteceu. Amanhã iremos ao dentista e espero que tudo se resolva rapidamente para esquecermos este assunto.
Quanto a mim, apesar de ainda não serem visíveis, devo ter ganho um par de cabelos brancos. E pelo andar das coisas muitos outros se seguirão!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Não sei se rio

ou choro. O facto é que ainda estou em choque.

Ontem ao final da tarde a Bia chamou um amiguinho, que é nosso vizinho, para vir brincar no nosso jardim. O D. é da idade da Bia e conhecem-se desde pequenos. Embora não frequentem a mesma escola estão muitas vezes juntos, pois temos amigos e familiares em comum. Ontem a brincadeira acabou cedo porque ele não soube aceitar um não.

Com apenas 8 anos a minha filhota já começa a despedaçar corações. Ele, com apenas 8 anos, não aceitou que ela já tenha o coração ocupado. Ele pediu-lhe namoro, ela disse que não.

Era tudo muito engraçado se tivesse ficado por aqui. No entanto, o doce de menino que ele parecia, transformou-se num chantagista. Do alto dos seus 8 anos informou-a que tinha até sábado para mudar de ideias. Ou aceita namorar com ele ou ele fala com uns amigos que tem e assaltam a casa dela. Pois é! E não são uns simples amigos, disse ele. São adultos e muito maus. E com isto foi-se embora.
Ela correu para dentro a contar-me. Assustada levou a ameaça a sério. Falei com ela e ajudei-a a ver que não passava de simples chantagem. Nem ele tem amigos adultos, nem eles fariam uma coisa dessas. Mais importante que isso tentei mostrar-lhe que nunca devemos ceder a essas ameaças e quem faz esse tipo de coisas não gosta realmente de nós. Depois de reflectir no que conversámos disse-me que achava melhor contar aos pais dele. A seguir pensou melhor e achou que o ideal seria contar eu. Com a decisão do que fazer tomada ficou descansada e parece-me que está bem.
Eu, que no inicio até me ri, fiquei preocupada. Começam cedo os problemas sentimentais da minha menina. Começam cedo as pressões, chantagens e tentativas de mudar a sua vontade. E que dizer deste menino? Devemos desdramatizar o assunto ou preocuparmo-nos com o futuro adulto que ele será? Devo chamar-lhe atenção ou falar mesmo com os pais? Devo deixar que sejam as crianças a resolver o assunto ou interferir?

O que lamento mais que tudo é que a amizade entre eles tenha acabado. É que a maneira como eu via o D. se tenha alterado. É que a maldade tenha lugar na mente de crianças tão pequenas. Estou a exagerar? Talvez, mas o sentimento de protecção em relação à minha filha é maior que tudo o resto.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Eu

Hoje queria ser livre. Livre de obrigações profissionais que me mantêm fechada neste espaço quando o sol chama por mim. Livre de obrigações familiares, de mãe, esposa, dona de casa, mulher.

Hoje queria ser um pássaro. Abria as janelas e voava. Elevava-me bem alto, batia as asas e só parava lá longe, à beira mar. O pensamento voaria livre. Esquecer-me-ia de quem sou. Do que esperam de mim. O ar do mar faria acordar todos os meus sentidos e eu ficaria assim, despida de pensamentos mas não de emoções. O tempo não existiria. Sem ele não teria pressa em regressar. As emoções controlariam o tempo e não o tempo as emoções.

Hoje, quando o sol partisse, o frio da noite iria acordar-me. E nessa altura lembrar-me-ia de quem sou. Voaria de regresso a casa e tudo faria sentido outra vez.

Hoje seria eu , seria tu, seria nós e mesmo assim seria livre.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Constatações de última hora


Março: nasce a Mi.

Abril: nasce a Li.

Maio: nasce a Ri.

Três meses, três meninas, três sobrinhas netas!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sonhos gramaticais

Acordo assustada. Uma luz entra pelo fresta da porta vinda do hall de entrada. Sento-me a tempo de a ver entrar no quarto. Dá a volta à cama até chegar ao meu lado.
- Tive um pesadelo, mamã!
Sabe que isso é a chave de acesso à cama dos pais. Aconchega-se entre os dois e diz:
- Esta cama é mesmo quentinha!
Adormeço de imediato. Deve ser muito cedo pois tenho muito, muito sono. Acordo com a sua voz:
- Mamã, um texto pode ter seis parágrafos e apenas cinco linhas?
Não consigo raciocinar e finjo que não ouvi.
- Mamã, eu sonhei que o texto da prova tinha seis parágrafos e cinco linhas, achas possível?
Tenho mesmo que responder caso contrário ela não se cala.
- Não Bia, não é possível.
Fico a pensar que ontem talvez tenhamos estudado demais. Até porque ela não teve dificuldade alguma a resolver as fichas que preparei para ela treinar para as provas de hoje. O despertador toca. O pai não está no quarto e ela encarregasse de o desligar. Continuo com sono e não me apetece levantar.
- Vou acordar o pai ao meu quarto!
Pois é! Parece que três na mesma cama foi demais para o papá e acabou por ir para a cama da filha. Ouço risos e luzes à minha volta. Tenho sono mas o dia chama por mim. Bom dia segunda-feira!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Histórias ao deitar


Ouves uma história ao deitar desde muito pequenina. A mãe e o pai começaram a ler-te todas as noites e agora ficas admirada quando algum dos teus amigos te diz que não ouve uma história antes de dormir. Tens uma colecção grande de livros mas não te importas de ouvir a mesma história várias vezes. Normalmente és tu que escolhes o que queres que te leiam mas quando recebes um livro novo a escolha fica automaticamente feita. Aos poucos tenho vindo a tentar ler-te livros maiores, com menos imagens e mais conteúdo. O livro do momento é "O Princepezinho" de Antoine Saint-Exupéry. E tem sido muito boa esta leitura. Lida pelo pai para mãe e filha. Estamos a gostar muito e as ilustrações fazem-te rir. Talvez ainda sejas muito pequena para entender todas as mensagens que o livro transmite, mas entendes á tua maneira, com a tua visão das coisas. Será um livro para guardar e voltar a ler daqui a mais algum tempo. Esta é uma história que nos ensina a ver para além do óbvio. Que nos ensina a interrogar, a querer saber sempre mais. A nós já nos cativou.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Para quem acredita no amor!

Da minha janela


Sabes que gosto de te ver? Gosto de estar na janela e olhar-te. E ver a maneira como brincas sem saberes que estás a ser observada. O baloiço novo faz as tuas delicias. Parece que voas e deve ser isso que sentes, não é?

Agora tentas alcançar os ramos da cerejeira. Esticas-te, saltas, mas as cerejas acabam por escapar aos teus dedos. Sabes que não deves comê-las pois ainda estão verdes mas sempre servem para brincar.

Descobriste que já consegues andar muito bem de bicicleta mas isso não impede que caias. Não gosto de te ver chorar. Tens que ter mais cuidado, meu amor.
Ainda saltas á corda mas já sem o mesmo interesse de antes. Agora que já saltas para a frente e para trás, com os dois pés e apenas com um, a correr ou no mesmo sítio, a corda deixou de ser um desafio. Outros virão e eu estarei aqui a olhar-te da minha janela.

Sabes que gosto de te ver?