Começou por um olhar, um sorriso, um aperto de mão. Eu recém chegada a um local de trabalho diferente de tudo o que conhecia até aí. A timidez e insegurança de me encontrar num grupo de pessoas antigas na empresa, em que todos se conheciam e os grupos estavam formados faziam-me sentir ainda mais frágil. Ele integrado, á vontade dava-se a conhecer. Não o amei no primeiro dia, semana, mês. Primeiro admirei-o. A sua beleza cativou-me. A sua inteligência fascinou-me. A sua simplicidade desarmou-me. Dois meses passaram. Depois de uma ceia de Natal da empresa levou-me a casa. Antes mostrou-me a decoração de Natal da cidade. Uma noite fria, mas quente. Escura, mas luminosa. Longa, mas tão breve. Selou-se a noite com um beijo. Um apenas. Inesquecível.
A partir daqui houve avanços e recuos. As barreiras que se erguiam entre nós eram enormes. Eu com 19 anos, ele com 40. Eu livre de compromissos, ele divorciado e com dependentes a seu cargo. As pressões da minha família e amigos fizeram-se sentir fortemente. Aqueles que não eram claramente contra também não davam o seu apoio. Contudo os momentos em que estávamos juntos faziam esquecer tudo isso. A partilha dos mesmos valores, a forma como encarávamos a vida e as situações, a comunhão de ideias e ideais, no fundo o amor um pelo outro venceu. Não foi uma opção tomada de um dia para o outro. Foi pensada, reflectida. Um ano e seis meses depois do primeiro beijo casámos. A família esteve presente. Hoje, vencidas que foram a reservas iniciais, estimam-se. Arrisco até a dizer que se admiram uns aos outros.
Este Verão celebraremos onze anos de casamento, de vida partilhada em todos os aspectos. E ainda sentimos que tomámos a opção correcta. Ainda nos amamos como no inicio, ou mais. Porque agora é um amor maduro, que ultrapassou os obstáculos e venceu. Que deu frutos. O nascimento da nossa filha fortaleceu-nos ainda mais e, hoje, sabemos que ficaremos juntos para sempre e que nunca houve ou haverá, para nós, história de amor mais bela que esta.
À Ana C. tenho que agradecer por me ter desafiado a abrir o coração e revelar um pouco da minha vida.