quinta-feira, 26 de março de 2009

As coisas que tu gostas ao deitar

Depois de adiares a ida para o quarto, por várias vezes, pedes ajuda para lavar os dentes pois sozinha não tens "paciência" e nunca ficam tão bem. De seguida vem a habitual história antes de dormir. Apesar de já leres com facilidade preferes que sejamos nós a ler. E se por acaso surge uma expressão mais engraçada temos que te mostrar onde está escrita para visualizares melhor.
Depois de apagarmos a luz pedes com aquela vozinha tão linda: - Mamã/papá podes me fazer festinhas? - Queres que te façam festinhas até adormeceres. Leves, suaves. Ainda antes de adormecer mais um beijinho. E que bem que te sabem. E que bem que nos sabem...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mais vale tarde...

Foram precisos 8 anos mas consegui convencer a Bia a provar morangos. E o mais engraçado é que gostou. Com açúcar ou natas.
- Deliciosos, mamã!
Talvez seja por estar maior ou então está cansada de me ouvir dizer que são óptimos, maravilhosos. Na semana passada foi o abacaxi. Nunca queria sequer provar. Depois de muito insistir, comeu. Gostou. Vou continuar a insistir com os feijões, os legumes e mais uma infinidade de alimentos que só come disfarçados na sopa e mesmo assim por insistência minha. Quem sabe um dia destes acaba por me surpreender.

terça-feira, 24 de março de 2009

Nova moda?

A primeira vez ainda pensei que era um vestido, mas depois da situação se repetir caí em mim e fique estupefacta!
Será normal, a vizinha da rua de cima, vir passear o cãozinho em robe?
Eu sei que estamos na aldeia e o movimento não é muito, mas qual é a necessidade de andar com a roupa de dormir na rua? É que não é ás 7 h da manhã! Acontece ás 11/12 h, ou mesmo á tarde. Esta gente não tem um fato de treino para vestir se não têm paciência para se arranjarem? Serei só eu a achar deprimente esta falta de decoro?
Se calhar é porque não tenho cão. Será?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ensinamentos da Natureza

Apesar de viver numa aldeia nunca foi muito adepta de jardins ou de plantas. Apreciava um bonito jardim mas era uma actividade que não me despertava interesse. Não sei o nome da maioria das flores, as melhores alturas para as plantar, podar ou colher. Contudo este ano tem sido diferente. Com a chegada destes dias luminosos veio a vontade de mexer na terra. Cavar, arrancar ervas daninhas e plantar. Tulipas, ortências, jarros das mais variadas cores (que eu nem sabia que existiam), narcisos, dálias (imensas e de todas as cores), gladiolos, liliums, e outras que não decorei o nome. Dou por mim a observar árvores em flor, arbustos, a olhar os jardins por onde passo e a indagar pelo nome das mais variadas plantas.

Claro que sobre jardinagem ainda tenho muito a aprender. Contudo a minha maior dificuldade é esperar. Porque as plantas não nascem no dia seguinte á plantação. Não! Precisam de tempo. Muito tempo. E eu todos os dias as vou espreitar. Olho a terra de vários ângulos na esperança de ver nascer algo que se assemelhe a uma planta. Mas nada. A paciência não é, definitivamente, uma das minhas virtudes. A gestão de expectativas sempre me causou problemas. E talvez seja este o maior ensinamento que a jardinagem me pode dar. Aprender a esperar. A dar tempo ao tempo. A deixar a natureza seguir o seu curso e fazer o seu trabalho. E, no final, conseguir transferir essa aprendizagem para as restantes tarefas e momentos do dia-a-dia.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Hoje sinto saudades

daquilo que não vivi. Dos momentos em que não o entendi como homem e como pai. Momentos que a vida não nos deixou viver.
Hoje sinto saudades de não ter nascido mais cedo para o conhecer como adulta. Para me recordar melhor de si. Para ter o que contar á sua neta de si.
Hoje sinto saudades dos anos que não tive consigo, que a vida, ou melhor a morte, nos roubou.
Hoje sinto pena de mim por ter permitido que a dor da sua ausência apagasse as memórias dentro de mim.
De si ficou-me a recordação do cheiro a perfume quando se arranjava para sair e do odor a terra e suor, que não me era desagradável, quando chegava a casa depois de um dia de trabalho. Das suas mãos pequenas, rugosas. Do seu cabelo preto, escondido pelo sempre presente chapéu. Da camisa de trabalho amarela. Do seu último Verão.
De si ficaram as recordações guardadas na memórias dos meus irmãos e que eu tento absorver quando falam de si. Porque aos 17 não reparamos nas pessoas que nos rodeiam. Que vivem efectivamente connosco. Porque aos 17 não pensamos que a morte há-de vir e roubar parte do nosso futuro e do nosso passado conservado pelas memórias. Porque a morte não deveria vir assim sem aviso.
De si ficou dentro de mim a bondade. O amor aos filhos. E disso eu nunca me vou esquecer.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Para Ti

Ontem encontrei um livro que gostaria de ter escrito. Um livro pequeno, com apenas algumas frases e com ilustrações que de tão simples se tornam belas. Com as palavras certas e a descrição da relação mãe/filha tão linda. Um livro que define tão bem o sentimento materno. Não lhe pude virar as costas. Comprei-o. Vou dá-lo á minha menina. Talvez ela ainda não consiga entender a grandeza de um livro tão simples. Mas um dia irá entender. Espero que, de cada vez que olhar para este livro, sinta o amor profundo que a mãe lhe tem. E que saiba que a mãe vai estar sempre aqui para a ajudar a passar as fases boas e menos boas que a vida lhe trará! Sempre com com o mesmo amor...

terça-feira, 17 de março de 2009

Diálogos nossos ou correcções de alguém que pensa que já sabe tudo!

Enquanto andávamos pelo caminho de acesso a nossa casa a B. reparou numas flores amarelas que cresciam por lá:

- Foste tu de semeaste aquelas flores, mamã?
- Não.
- Como é que se chamam?
- Não sei bem... são flores selvagens!
- Espontâneas, mamã.
- Sim porque ninguém as plantou.
- Sim, não foram cultivadas!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Má educação ou pré adolecência?


Este sábado, enquanto limpava o quarto da princesa, vi um tubo de cola no caixote do lixo e perguntei-lhe se estava estragado.

- Não!

- Então, está vazio?

- Não!

- Então porque é que está no lixo? - Encolhe os ombros e não responde. Insisto na pergunta e mais uma vez encolhe os ombros. E eu começo a ferver. Tento controlar-me, não levantar a voz e acabo por lhe fazer um discurso sobre o valor dos bens materiais e o esforço necessário para os adquirir.

Visto á distância, até a mim, parece um exagero tanto problema por apenas um tubo de cola, mas é nestas pequenas coisas que temos que mostrar o certo e o errado. É nas coisas mais insignificantes que têm que aprender a dar o correcto valor. Só assim poderão mais tarde valorizar o que é realmente importante.

O que mais me aborreceu foi a sua falta de justificação para o que fez. O que me assustou foi o seu encolher de ombros tão característico dos jovens. Como se eu não tivesse direito a uma resposta! Isto sim foi aquilo que mais me irritou. E que me deixou a pensar: que tipo de mãe saberei ser para uma filha adolescente?
Felizmente ainda falta muito tempo, não é?!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Será do tempo?

Dias como estes pedem acção. Pedem passeios, trabalhos no jardim ou no quintal, limpezas a fundo, brincadeiras ao ar livre, ou seja, dias assim pedem movimento.
Eu, ao contrário peço sossego, paz, silêncio, cama. Ando cansada. Não sei bem do quê, mas ando. E irritada. Com os colegas de trabalho, com os clientes e as suas pressas, exigências, com tudo. O esforço necessário para camuflar tudo isto chega a ser esgotante, mas felizmente tenho conseguido guardar uma dose de bom humor para a minha princesa. O marido lá se vai apercebendo e vai-me dando o espaço que preciso. Tem vindo almoçar comigo só isso já ajuda a aguentar o dia. À noite, depois da B. se deitar, faço apenas as tarefas estritamente necessárias para o funcionamento da casa e adio tudo o resto para o dia seguinte. Só penso em deitar a cabeça na almofada e dormir.

Talvez esteja a precisar de férias! Sim deve ser isso. Ou à falta disso de fim-de-semana. Até lá vou tentar mexer-me o menos possível, ou então não, vou tentar reagir e combater o que me pede o corpo (e a mente).

Será do tempo? Sim, deve ser do tempo...

terça-feira, 10 de março de 2009

Notícias de uma princesa

Este fim-de-semana tivemos uma menina com febre e dor de garganta. Começou com dores de garganta na sexta-feira e no sábado com febre. Não muito alta e que cedia facilmente com o Brufen. Contudo, como a garganta continuava a incomodar, resolvemos dar um salto ao hospital no Domingo. O médico, que aparentava não ter mais de 20 anos, foi atencioso e concluiu que ainda não justificava a toma de antibiótico. Viemos para casa mais descansados. Felizmente na 2ª feira andou muito melhor e hoje de manhã já não se queixou.
Da escola só boas noticias. Tem melhorado as notas sem esforço. Nas ultimas provas, para as quais não se preparou pois pensava serem só na semana seguinte, tirou as melhores notas deste ano. Das aulas de violino ouço muitos elogios. Na opinião da professora "ela aprende tudo sem dificuldade e se estudasse todos os dias um pouco poderia ser brilhante".
Mas eu não me importo que ela não seja brilhante. Quero apenas que ela aproveite os dons e as facilidades para a aprendizagem que tem. E que seja feliz. E por isso nem sempre insisto para ela estudar em casa. Porque a vejo tão contente nas suas brincadeiras e nas suas tarefas imaginárias que me custa interrompe-la. Para já vamos continuar assim. Vou deixá-la continuar a ser criança, tentando incutir alguns hábitos de estudo e alguma responsabilidade mas sem deixar que isso roube muito tempo á sua função principal : brincar.