Apesar de viver numa aldeia nunca foi muito adepta de jardins ou de plantas. Apreciava um bonito jardim mas era uma actividade que não me despertava interesse. Não sei o nome da maioria das flores, as melhores alturas para as plantar, podar ou colher. Contudo este ano tem sido diferente. Com a chegada destes dias luminosos veio a vontade de mexer na terra. Cavar, arrancar ervas daninhas e plantar. Tulipas, ortências, jarros das mais variadas cores (que eu nem sabia que existiam), narcisos, dálias (imensas e de todas as cores), gladiolos, liliums, e outras que não decorei o nome. Dou por mim a observar árvores em flor, arbustos, a olhar os jardins por onde passo e a indagar pelo nome das mais variadas plantas. Claro que sobre jardinagem ainda tenho muito a aprender. Contudo a minha maior dificuldade é esperar. Porque as plantas não nascem no dia seguinte á plantação. Não! Precisam de tempo. Muito tempo. E eu todos os dias as vou espreitar. Olho a terra de vários ângulos na esperança de ver nascer algo que se assemelhe a uma planta. Mas nada. A paciência não é, definitivamente, uma das minhas virtudes. A gestão de expectativas sempre me causou problemas. E talvez seja este o maior ensinamento que a jardinagem me pode dar. Aprender a esperar. A dar tempo ao tempo. A deixar a natureza seguir o seu curso e fazer o seu trabalho. E, no final, conseguir transferir essa aprendizagem para as restantes tarefas e momentos do dia-a-dia.





