sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Educação sexual na escola?

- Ontem quando a professora estava a explicar aquilo do caude e das folhas das plantas começou a falar do pénis!
- Do pénis?
- Sim e da vagina!
- Mas a propósito de quê?
- Sei lá, mas o R. disse que não sabia o que era o pénis. Foi uma risada. A professora teve que lhe explicar que é a pila... Eu aproveitei para dizer que tenho o "O Grande Livro da Sexualidade" e que podia levá-lo para a aula se ela quisesse. A professora disse a toda a turma que ámanhã eu vou levar o livro. Por isso, não te esqueças de o levar para a mochila. Posso, não posso mãmã?

Possivelmente a professora explicou a anatomia das plantas na aula e daí partiu para a anatomia dos seres humanos. E concordo que se começe de pequeno a ouvir falar destas coisas. A B. a partir do momento em que começou a fazer perguntas sobre os orgãos sexuais começamos a explicar. No início com pouco á vontade nosso. Mas a reacção dela foi sempre tão natural que hoje falamos de quase tudo sem grandes constrangimentos (pelo menos tentamos). Na nossa busca sobre a melhor maneira de abordar determinados temas surgiu este livro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Desde que começou o Inverno


que é muito difícil acordar a B. Começo por lhe ir ligar a luz do quarto quando me levanto, de modo a que ela vá despertando. Mesmo assim quando acabo de me arranjar ela ainda dorme. Devagar vou começando a falar com ela, de preferência de assuntos que lhe suscitem curiosidade (haja imaginação). Depois começo a vesti-la ainda deitada. Com custo lá se levanta para lhe vestir a parte de cima. A partir daí desperta e já vai ao W.C. sozinha.
Ontem o despertador não tocou e acordei 1 hora depois do habitual. Fizemos tudo como de costume mas na velocidade máxima. O pequeno almoço da B. foi tomado no carro a caminho da escola.
Hoje, e talvez pelo receio de chegar atrasada outra vez á escola, quando cheguei ao quarto já ela se estava a vestir. A roupa que deixei preparada no dia anterior tinha sido trocada por outra mais do seu agrado (cor de rosa). E ela ainda ficou chateada porque nos queria fazer uma surpresa. Pois então não foi uma surpresa? E das boas. Quem dera fosse assim todos os dias!

O Paz de Alma

O Paz de Alma


Aquele senhor ali, de calva rosada e redonda, olhos pestanejantes de menino velho, bochechinhas caídas, da cor da calva, tem mesmo ar de boa pessoa. Uma jóia. Uma raridade. Um paz de alma. Todas as manhãs se senta à mesma mesa do nosso café do bairro e pede numa voz mansa, de palavras pronunciadas sílaba a sílaba:
- Se faz favor trazia-me uma meia de leite, mas não muito quente, acompanhada por um queque, de preferência ainda quentinho… E ri-se, suavemente, do seu capricho guloso.
Pois no outro dia, entrou um desconhecido de rompante, lá no café, que se dirigiu sem hesitação ao senhor, a meio da sua chávena meia de leite.
- O senhor é que é o Abílio Gomes, não é? - perguntou ele, de dedo apontado, com muito maus modos.
E sem esperar pela resposta, nem sequer dar tempo ao senhor para poisar a chávena, pregou-lhe uma bofetada de todo o tamanho e saiu disparado, tal como entrara. Esparramou-se o conteúdo da chávena, que se partiu mais o pires, no lajedo do café.
Eu, que estava perto, ainda apanhei uns salpicos.
Entretanto, o senhor, de bochechas muito mais rosadas do que o costume, mamava, imperturbável, o resto do queque, ensopado de café. Indignei-me:
- Então o senhor apanha uma bofetada destas e fica-se?
Acabando de engolir o queque, o senhor só respondeu:
- O caso não era comigo. Deve ter sido engano. Eu nem me chamo Abílio...

Autor: António Torrado

Retirado da História do Dia - Sapo Kids


Quando li esta história não pude deixar de pensar que se todos fossemos um bocadinho como esta personagem o mundo seria muito melhor. Se em vez de reagirmos como o agressor, que ainda sem ter a certeza se aquela era a pessoa que procurava o agrediu, reagíssemos mais como o "Paz de Alma", talvez evitássemos muitos conflitos. Verbais e emocionais. Porque quando pensamos que alguém teve determinada acção com o intuito de nos magoar acabamos tantas vezes por ficarmos magoados com isso. E somos capazes de andar dias a tentar entender o outro e tudo o que fazemos é aprofundar a mágoa. Em vez disso devíamos tentar falar, dialogar e ver que talvez não tenha tido a intenção de nos ferir. Que talvez a seta tenha vindo na direcção errada.

Alguns pensarão que somos cobardes, medrosos. Mas o que assim pensam, são, por norma, os agressores, aqueles que nem dão oportunidade ao outro de se defender. E não é a essa categoria de pessoas que eu quero pertencer. Eu prefiro ser da categoria dos "Paz de Alma". Embora nem sempre o consiga...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Chá ou café?


E enquanto nos tentávamos decidir entre chá ou café para tomar depois do jantar, ela, sem dúvidas, diz:

- Para mim chá de lúcia lima sem açúcar. Obrigado!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Música

Lá em casa ouve-se muita música. A nossa menina não sabe estar em casa sem ouvir música (a não ser quando está a ver tv). Ela ouve, canta e dança. E nós adoramos vê-la assim. E o cd deste momento é:

É para mim um dos melhores cds dos últimos tempos. Uma música diferente em que se conjuga o fado com a musica popular portuguesa. As letras são muito giras, fora do comum, e as melodias lindas. É fado, mas sem aquela tristeza que quase sempre o caracteriza.

A música preferida da Bia é o Fado Toninho:http://www.youtube.com/watch?v=jq1j-Dq11WQ


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mentiras

No ano passado, o 1º ano de escola da Beatriz, tínhamos por hábito ver sempre os trabalhos de casa juntas. Mesmo que os tivesse feito no ATL eu tinha o cuidado de ver os cadernos e conferir se estava tudo em ordem. Este ano, e porque ela está maior, pensei que quando ela me diz que não tem trabalhos de casa eu podia acreditar. Ontem cheguei a casa tarde e ela já estava pronta para ir para a cama. Supostamente não tinha trabalhos de casa. Contudo, depois de a deitar, resolvi ver os cadernos e conferir a caderneta, não fosse ter-se esquecido de me dar algum recado. E só nessa altura é que me dei conta que a minha princesinha tinha mentido. O trabalho era no livro de matemática e, segundo confessou esta manhã depois de confrontada, ela não tinha conseguido fazer. Era difícil...
Fiquei triste. Por nos ter mentido, por não se esforçar quando tem dificuldades, por saber que provavelmente iria ficar de castigo na escola. Agora vamos ter uma conversa bem séria com ela. E espero entender o porque desta atitude...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Um gato?


- Mamã, sabes qual foi o meu sonho esta noite? Sonhei que estavas grávida mas não era um bebé que tinhas na barriga, era um gato!


E com isto resumiu tudo. Ela quer um mano e um gato. O irmão/irmã está planeado. O gato é mais complicado. Tenho andado a adiar para o verão esta ideia, com a desculpa que uma vez que não vou permitir animais dentro de casa e ele vai ter que ficar no jardim, agora está muito frio. Mas no fundo ainda não me estou a ver a cuidar de um animal. E sei que acaba por sobrar para mim. Vamos mesmo ter que pensar muito bem. Até lá pode ser que arranje maneira de lhe dar a volta...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Resumo dos últimos dias




Chuva


Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.

Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.

Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.
Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.


Luísa Ducla Soares, A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Teorema

O post que eu queria ter escrito...

http://avontaderegresso.blogspot.com/2009/01/falemos-sempre-por-favor.html

Momentos felizes

Há quem diga que a felicidade não existe. O que existe são momentos felizes. Talvez seja mesmo assim pois podemos não viver 24 horas por dia com total felicidade, mas mesmo assim ter um dia com muitos momentos felizes. Ontem, á noite, depois do jantar, enquanto observava o homem cá de casa a brincar com a nossa menina, pensava nisso. Aquele era um dos dias em que, apesar de estar com dor de cabeça e sem vontade de fazer as inúmeras tarefas que ainda me aguardavam, só de observar a partilha e cumplicidade entre pai e filha senti-me feliz. E é mesmo assim. Por vezes as coisas mais simples são as aquelas que nos fazem mais felizes. E felizmente tenho muitos momentos assim que tornam os meus dias repletos de felicidade.
Obrigado por isso meus amores!